UFPE e UPE relacionam asma e obesidade com maior risco de Broncoespasmo Induzido pelo Exercício (BIE)

O broncoespasmo se caracteriza pela obstrução dos brônquios e tem como principais sintomas a tosse, a falta de ar e sibilos (chiados no peito).

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O estudo “Obesity is a risk factor for exercise-induced bronchospasm in asthmatic adolescents” (Obesidade é um fator de risco para Broncoespasmo Induzido pelo Exercício em adolescentes asmáticos), produzido no Hospital das Clínicas da UFPE, concluiu que crianças e jovens obesos com asma apresentam maior risco de Broncoespasmo Induzido pelo Exercício (BIE) com recuperação mais lenta do que em jovens não obesos também asmáticos. O HC é unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh)

A pesquisa foi publicada no periódico Pediatric Pulmonology, no fim de maio, e realizada por alunos de mestrado da UFPE e da Universidade de Pernambuco (UPE), por profissionais dos Serviços de Pneumologia e de Alergia e Imunologia Clínica, em associação com o mestrado em Hebiatria da UPE.

O Broncoespasmo Induzido pelo Exercício (BIE) é comum em crianças e jovens asmáticos, faixa da população em que a obesidade se tornou uma epidemia. O broncoespasmo se caracteriza pela obstrução dos brônquios e tem como principais sintomas a tosse, a falta de ar e sibilos (chiados no peito).

O estudo analisou 156 pacientes asmáticos com idade entre 7 e 19 anos submetidos a testes de corrida em esteira e exames de espirometria para avaliar se o cansaço durante a atividade era provocado pelo BIE ou pelo mau condicionamento físico dos pacientes. Foram avaliados tanto indivíduos eutróficos (com estado nutricional adequado) quanto aqueles com sobrepeso e os obesos.

A pesquisa mostrou que a obesidade aliada à asma pode dar origem ou piorar os sintomas respiratórios durante o exercício e podem, por consequência, interferir nas atividades recreativas e esportivas desses jovens. “Temos um ciclo vicioso no qual aquele adolescente com sobrepeso ou obeso deixa de praticar atividade física porque sente o cansaço e sem essa atividade física fica com mau condicionamento, o que vai piorar a asma e vai impedir a realização do exercício”, explica o chefe do Serviço de Pneumologia do HC, Ângelo Rizzo.

Quase a metade dos pacientes avaliados (73 indivíduos ou 47% do total) apresentaram BIE, com maior percentual entre os obesos. “Quando o exercício físico provoca o broncoespasmo, o tratamento é farmacológico para controlar a asma. Quando a causa da sensação de fadiga e falta de ar é o mau condicionamento físico é preciso recondicionar o paciente. Já está comprovado cientificamente que a perda de peso diminui a frequência e a gravidade das crises de asma”, completa Ângelo Rizzo, um dos autores do estudo, ao lado de Anderson Almeida, Edil Rodrigues Filho, Eduarda Costa, Cláudio Albuquerque, Emanuel Sarinho, Décio Medeiros, Ana Caroline Dela Bianca e Marco Correia Júnior.

Fonte: UFPE