Pesquisadora da UFT analisa manchas bacterianas no eucalipto

Trabalho se destaca por ser o primeiro a divulgar resultados sobre o estabelecimento de diferentes clones de eucalipto, bem como a tolerância à mancha bacteriana.

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Por Virgínia Magrin | Edição: Samuel Lima | Revisão: Paulo Aires | Publicado: Quinta, 18 de Junho de 2020, 16h17 | Última atualização em Quinta, 18 de Junho de 2020, 16h17

Sintoma da mancha bacteriana na folha de eucalipto. B: Lesões angulares, ressecadas, com perfurações nos centros. C: Lesão tipo anasarca característica da doença. D: Desfolha ocasionada pela doença. (Foto: Divulgação)Sintoma da mancha bacteriana na folha de eucalipto. B: Lesões angulares, ressecadas, com perfurações nos centros. C: Lesão tipo anasarca característica da doença. D: Desfolha ocasionada pela doença.

A professora Mara Elisa Soares de Oliveira é uma das responsáveis pela pesquisa (Foto: Divulgação)A professora Mara Elisa Soares de Oliveira é uma das responsáveis pela pesquisa (Foto: Divulgação)

O estudo do comportamento da mancha bacteriana do eucalipto no estabelecimento de diferentes clones de eucalipto, em campo, no Tocantins, verificou a existência de níveis de resistência ou tolerância à mancha bacteriana entre os clones, a influência da doença no crescimento inicial das plantas no campo e as correlações entre a ocorrência da doença com as condições meteorológicas.

O estudo é importante para o estado, pois a grande maioria dos clones de eucalipto disponíveis no mercado foram selecionados na região sudeste do Brasil, que apresenta condições edafoclimáticas distintas do Tocantins. “Devido à falta de informações sobre a adaptação desses clones às condições edafoclimáticas da região do Tocantins e ao comportamento destes clones perante as doenças, a escolha do clone de eucalipto é um desafio para os produtores interessados em investir na silvicultura no estado do Tocantins”, explica a pesquisadora e professora da UFT, Mara Elisa Soares de Oliveira.

O trabalho realizado se destaca por ser o primeiro estudo a divulgar resultados sobre o estabelecimento de diferentes clones de eucalipto no Tocantins, bem como a tolerância desses clones a mancha bacteriana. Além disso, as informações obtidas no estudo podem auxiliar os produtores, tanto na escolha do clone de eucalipto, quanto no esclarecimento das medidas preventivas de manejo que devem ser realizadas, contribuindo com o sucesso da implantação de novos povoamentos florestais no estado.

O gráfico apresenta o resultado do trabalho (Ilustração: Divulgação)O gráfico apresenta o resultado do trabalho (Ilustração: Divulgação)
Resultado

Mara Elisa esclarece ainda, que nas condições estudadas, o comportamento da mancha bacteriana do eucalipto foi diferente entre os clones estudados. “Nenhum clone avaliado apresentou resistência à doença. Entretanto, os clones foram divididos em três grupos com diferentes níveis de tolerância, sendo que os clones A469, VM01 e 373 foram os mais tolerantes nos primeiros 12 meses de plantio. A doença prejudicou o crescimento inicial dos clones, quanto maior a incidência da doença menor o crescimento das plantas”, contatou ela.

Outro ponto evidenciado, foi que a temperatura média do ar, as chuvas e a umidade relativa do ar, favoreceram o aumento da incidência da doença, principalmente as condições meteorológicas, como precipitação entre 290​mm e 360​​mm, temperatura entre 26º e 27º centígrados, e umidade relativa entre 80% e 84%, favorecem o aumento da incidência da doença.

Saiba mais sobre a doença

As condições edafoclimáticas nos povoamentos de eucaliptos, geralmente, proporcionam um ambiente favorável ao surgimento de doenças de origem fúngica e bacteriana. Entre as doenças de origem bacteriana que acometem o eucalipto está a mancha foliar bacteriana, causada por Xanthomonas spp., e Pseudomonas spp. A doença incide tanto em viveiro quanto a campo podendo provocar danos significativos em materiais genéticos suscetíveis sob condições favoráveis à infecção.

Os sintomas caracterizam-se inicialmente por lesões encharcadas tipo anasarca, internervurais, angulares, concentradas ao longo da nervura principal, nas margens da folha ou distribuídas aleatoriamente sobre o limbo. As lesões tornam-se ressecadas, com coloração marrom clara e com orifícios em seu centro. Pode-se também observar falhas no limbo foliar devido à necrose e desfolha causada pela alta severidade da doença (GONÇALVES et al., 2008).

O artigo completo com todos os detalhes dessa pesquisa você encontra aqui.

Grupo de Pesquisa

Mara Elisa comentou também, que o desenvolvimento deste trabalho foi possível devido ao empenho da equipe e das instituições envolvidas. As instituições envolvidas foram: a Universidade Federal do Tocantins (UFT), a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a empresa Jamp Florestal.

Entre os membros da equipe estão a professora da UFT, Mara Elisa Soares de Oliveira; a professora da UFLA, Maria Alves Ferreira; os pesquisadores Álvaro Soares de Oliveira, da empresa InfoRural e Reginaldo Gonçalves Mafia, da empresa Fibria Celulose. Também houve a participação dos alunos do curso de Engenharia Florestal da UFT, Fabiano Silva Fernandes e Murilo A. Glória Junior.

Fonte: Universidade Federal do Tocantins