Artigo da UFPE reúne informações sobre impactos dos vírus da Coronoviridae em gestantes

Sintomas como febre pós-parto, dor muscular e aumento de secreção brônquica têm sido observados.

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Artigo “SARS-CoV, MERS-CoV and SARS-CoV-2 infections in pregnancy and fetal development”, produzido por professores, professoras e estudantes da UFPE e publicado no Journal of Gynecology Obstetrics and Human Reproduction, aponta que, de uma maneira geral, sintomas como febre pós-parto, dor muscular e aumento de secreção brônquica têm sido observados como principais alterações orgânicas que os vírus da família Coronoviridae, em especial SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV-2, podem promover em grávidas e no desenvolvimento fetal.

Dentre os principais achados compilados no texto científico está a constatação da virulência (capacidade de causar lesão) para o vírus MERS-CoV na mulher grávida. Uma revisão de literatura sobre o tema, o artigo constata que “em grupos mais graves, os quais compreendem cerca de 5 a 10% das mulheres, observam-se hipertensão, pré-eclâmpsia, disfunção hepática e renal, disfunção pulmonar, alterações no número de células imunológicas e da proteína C-reativa (indicativa de inflamação) e falência múltipla de órgãos”. O artigo ainda afirma que “também há registros de, em alguns caso, ocorrer indução de nascimento pré-maturo e restrição de crescimento intrauterino”.

Segundo a professora Cristiane Moutinho, do Departamento de Antibióticos da UFPE, e uma das docentes-autoras e orientadora do grupo de estudantes que também atuaram na elaboração do artigo, muitos estudos têm sido publicados mundialmente nas principais plataformas de pesquisa e acredita-se que as dúvidas como transmissão vertical, alterações no desenvolvimento fetal ou durante o crescimento de uma criança nascida de mãe positivada para os vírus deverão ser elucidados em breve. Ela ressalta “a qualidade da pesquisa realizada pelos alunos deste estudo, os quais se empenharam integralmente na consolidação dos achados bibliográficos. Isso enfatiza a qualidade dos alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado que estão sendo formados na UFPE em diferentes programas”.

“Embora não tenham sido registrados relatos de morte fetal, muitos registros têm apontado para a prática de cesarianas de emergência devido às alterações que a Covid-19 promove em mulheres grávidas e, nesse sentido, a promoção de nascimento pré-maturo per si é um fator de risco para o bebê”, afirma a professora, que destaca que, especificamente para a Covid-19 (promovida pelo SARS-CoV-2), os estudos ainda são preliminares e não comprovam transmissão vertical (sem achados de vírus na placenta) ou indução de doença no feto.

Fonte: UFPE