Alunas do ensino médio vivem um dia de cientista nos laboratórios da Fiocruz

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O Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, teve uma programação na Fundação com atividades para promover a conscientização, inclusão, difusão e valorização de mulheres e meninas na ciência. Farmanguinhos participou e recebeu de braços abertos, no dia 10 de fevereiro, alunas do ensino médio para um dia de cientista em alguns laboratórios da Unidade, no campus Manguinhos.

Pesquisadoras do Instituto, com anos de experiência em bancada e na área acadêmica, como Mariana Souza, do Departamento de Farmacologia Aplicada, Simone Valverde, do Departamento de Produtos Naturais, e Beatriz Patrício, do Departamento de Micro e Nanotecnologia, receberam quatro alunas nos laboratórios para acompanhar os estágios iniciais na cadeia de descoberta e desenvolvimento de medicamentos, como a química de produtos naturais, testes farmacológicos, até a inovação de se trabalhar com nanotecnologia e preparar um medicamento.

Érica, Marília, Ana Beatriz e Yasmin com as profissionais do Laboratório de Produtos Naturais

Ana Beatriz Albuquerque, do Colégio Estadual Círculo Operário, Érica dos Santos, da Escola Técnica Estadual Santa Cruz, Marília Nunes, do Colégio Pedro II, e Yasmin Souza, do Colégio Estadual Jorge Zarur, puderam conhecer e ver o funcionamento dos três laboratórios visitados. As estudantes conferiram as rotinas dos profissionais que ali atuam e realizaram atividades, com substâncias criadas artificialmente, para que ficassem fisicamente semelhantes às dos laboratórios, mas que pudessem ser manipuladas sem riscos.

Mariana Souza destacou a importância da atividade para as alunas e para a comunidade científica. “No momento que estamos, de descrédito da ciência, podermos estimular e incentivar pessoas a fazer ciência, quem ganha somos nós. Queremos mostrar que elas podem escolher o que quiserem e outras mulheres alcançaram esses objetivos. Se pensarmos nas ciências biológicas e da saúde, são ciências do cuidado e a mulher tem uma relação com a ciência do cuidado. O que às vezes não vemos muito é a participação feminina na gestão disso tudo e nos locais principais de fala. Não podemos achar isso normal. Elas têm que perceber isso”, afirmou a biomédica, que ingressou na unidade como estagiária de divulgação científica em 1997.

Mariana Souza, do Laboratório de Farmacologia Aplicada, com as visitantes no laboratório, antes de iniciar as atividades experimentais, onde as alunas puderam realizar etapas importantes na bancada

Simone Valverde afirmou como a oportunidade foi excelente para as meninas e mais ainda para as pesquisadoras. “A Fiocruz mais uma vez se mostra o quão diferente é da nossa sociedade brasileira, fazendo a diferença na vida de meninas, jovens mulheres que puderam vislumbrar um pouquinho da nossa rotina. No Laboratório de Química de Produtos Naturais, elas puderam fazer uma extração com auxílio de ondas ultrassônicas e observar, através da cromatografia e da espectroscopia de ultravioleta, a presença da substância ativa de interesse no extrato por elas preparado. Senti ainda mais orgulho de ser Fiocruz, de representar Farmanguinhos, de ser mulher, enfim, de poder fazer a diferença! Que venham mais dias como esse, que venham mais meninas”, exclamou a pesquisadora.

Simone ainda participou da Roda de Conversa, com mediação de Márcia Corrêa e Castro, do Canal Saúde/Fiocruz, no evento realizado na Tenda da Ciência Virgínia Schall, que leva o nome da psicóloga, doutora em Educação e importante pesquisadora da Fiocruz, que teve um papel fundamental para a divulgação científica. Simone revelou que foi emocionante ouvir os relatos das meninas, que contaram as experiências e situações vividas nesses dois dias de comemoração. “Passa um filme na nossa cabeça e hoje podermos ver a predominância de mulheres nos laboratórios de Far, principalmente como chefes dos laboratórios, é muito gratificante”, ressaltou a pesquisadora, que atua desde 2008 na Fundação.

Simone Valverde no evento comemorativo, na Tenda da Ciência Virgínia Schall, participou da roda de conversa e destacou os desafios, enfrentamentos e oportunidades da atuação das mulheres nos laboratórios

No laboratório de Nanotecnologia, localizado no prédio da Expansão, em Manguinhos, as alunas puderam acompanhar um pouco da parte de desenvolvimento de formulação, com explicações das etapas e dos equipamentos utilizados. Beatriz Patrício, farmacêutica, falou sobre a experiência. “Olhamos insumos farmacêuticos no microscópio com luz polarizada, fizemos experimentos para explicar a importância de fazer uso da medicação com água, e conversamos sobre a diferença de materiais cristalinos e amorfos. Esses encontros aproximam a sociedade das pesquisas realizadas na Fiocruz. Além disso, ajudam a inspirar meninas a seguirem essa carreira. Elas saíram animadas para seguir nas áreas de ciências biológicas e farmácia”, salientou Beatriz, que em quatro anos em evoluiu de bolsista pós-doutorado para contratada de Farmanguinhos.

Após a visitação no campus principal, as alunas foram para o Prédio da Expansão conhecer o Laboratório de Micro e Nanotecnologia e foram recebidas pela farmacêutica Beatriz Patrício

Yasmin Souza, de 16 anos, está no segundo ano do ensino médio, e se antes tinha alguma dúvida do que faria no futuro, agora a estudante está decidida. “Estes dois dias de experiência foram enriquecedores para mim. Eu entrei uma pessoa e saí outra. Antes pensava em Biomedicina, mas agora tenho certeza de que farei Farmácia. Foi inspirador e totalmente empolgante ver a diversificação da Fiocruz e a quantidade de mulheres, que atuam lá dentro. Vou levar essa experiência para o resto da vida”, contou a aluna que desde as aulas práticas de química já se sente familiarizada dentro dos laboratórios.

Érica dos Santos faz curso técnico em Química e se encantou mais ainda com a ciência e a atuação das mulheres dentro da Fundação. “Fiquei muito apaixonada por cada laboratório que eu conheci e todo o conhecimento que eu aprendi. Poder ver a quantidade de mulheres que trabalham na ciência e na Fiocruz foi muito empolgante e motivador. Ver a paixão delas pelo que fazem me expirou muito. Vou levar essa experiência para a vida toda e também sempre motivar outras meninas para mostrar que a ciência também é lugar para mulheres”, comentou a estudante.

O certificado documenta a visita, que além de aprendizados, ratificou o desejo das alunas de ingressarem no ramo científico

Cinco anos da formalização da data – O Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, foi instituído em 2015 pela Assembleia das Nações Unidas e passou a integrar o calendário de eventos da Fundação em 2019.

A Fiocruz está comprometida com a promoção da equidade de gênero na Ciência, em consonância com as diretrizes institucionais e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos na Agenda 2030.

Esse é o grito de hoje e de todos os dias: Mais Meninas na Ciência!

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz