Jornal da USP: Coronavírus chega ao Brasil, e agora?

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Imagem do microscópio eletrônico de transmissão mostra o SARS-CoV-2 (laranja), o vírus que causa o COVID-19 – Foto: NIAID / NIH via Wikimedia Commons / Domínio público

Por Jornal da USP no Ar

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Brasil registra primeiro caso confirmado de infecção por coronavírus. Apesar da epidemia, profissionais de saúde reiteram que não há motivos para pânico, já que a doença geralmente se manifesta em níveis leves ou moderados. Um homem de 61 anos deu entrada no Hospital Israelita Albert Einstein com sintomas da Covid-19 e registro de viagem recente à Itália, já com regiões consideradas de risco, na noite de terça-feira (25).

Marcos Boulos, professor do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e coordenador de controle de doenças da Secretaria Estadual de Saúde, diz que há diversas doenças presentes no Brasil acometendo a população diariamente e, portanto, não há motivo para alarde, não existem casos de transmissão de coronavírus em território nacional. “Hoje, a maior parte dos médicos tem condições de analisar as possíveis suspeitas da doença” e complementa: “Nossa preocupação é encontrar rapidamente essas pessoas e evitar o contato delas com outras. É preciso lembrar que é mesmo uma gripe, e leve, na grande maioria dos casos, como todas as gripes.”

De acordo com Boulos, a contaminação da Covid-19 no País, porém, não deve ser grande, principalmente no verão; e há sinais de desaceleração do coronavírus no inverno chinês. “Temos, anualmente, epidemias de gripe e essa é mais uma. Os casos graves, como em todas as outras, afetam com maior intensidade pessoas idosas, com imunodepressão, diabetes, hipertensão e gestantes de modo geral, que precisam tomar maiores cuidados”, afirma Marcos Boulos. Quanto à preocupação dos viajantes em relação à contaminação, o professor destaca a importância de se evitar os lugares de risco, como o norte da Itália e o Irã, mas que é possível tomar os cuidados necessários, como não ir a teatros, museus e lugares fechados.

Marcos Boulos: “Temos, anualmente, epidemias de gripe e essa é mais uma” – Foto Cecília Bastos / USP Imagens
Os coronavírus são um grupo de vírus com aparência de auréola ou coroa (coroa) quando vistos ao microscópio eletrônico. O coronavírus agora é reconhecido como o agente etiológico do surto de SARS – Foto: CDC / Dr. Fred Murphy / Phil via Wikimedia Commons / Domínio público

Também conversamos com Helena Sato, Mestre e Doutora pela Faculdade de Medicina da USP e diretora de imunização do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. Ela também está participando do recém lançado Centro de Contingência, criado pelo Governo de São Paulo para tratar da doença.

“É importante ressaltar que as medidas de precaução, controle e isolamento não são realizadas apenas após a confirmação do caso, mas já na suspeita, ou seja, pessoa que em qualquer idade, que apresente tosse ou coriza, ou sintoma respiratório que tenha vindo de países com circulação do vírus nos últimos catorze dias, será coletado exame [do paciente] e será realizada toda a investigação”, afirma Helena sobre as precauções tomadas em território brasileiro.

Estar presente no aeroporto no mesmo dia que o homem infectado não é fator de risco, ressalta Helena, “não basta estar próximo, é preciso conviver no mesmo ambiente [que a pessoa infectada]”. O novo plano de contingência criado pela Secretaria do Estado de São Paulo já prevê ações de primeiras medidas para os postos de saúde e hospitais públicos no País. Importante destacar ainda que a vacina da gripe não se aplica ao vírus Covid-19, como explica Helena: “A campanha de gripe é contra o vírus influenza, no entanto, vamos aproveitar e reforçar a importância que os grupos prioritários tomem a vacina, pois será uma infecção a menos”.

Helena Sato: “não basta estar próximo, é preciso conviver no mesmo ambiente [que a pessoa infectada]” – Foto: via Governo do Estado de São Paulo

 

Fonte: Universidade de São Paulo