Meninas na ciência encontram apoio e incentivo em projeto da Ufal

Estudantes do Instituto de Computação lutam por união e reconhecimento dos talentos femininos nas áreas científicas

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Grupo Katie quer difundir a força feminina na ciência (Foto: Renner Boldrino)

O grupo ainda é pequeno. Mas já se destaca! Cada uma dessas meninas assumiu o papel de difundir a força feminina na ciência. Elas fazem parte do projeto de extensão Katie, uma homenagem a Katie Bouman, a jovem engenheira e cientista da computação que criou o algoritmo capaz de contabilizar dados de telescópios e formar a primeira imagem real do buraco negro. O feito é considerado um dos mais importantes da astronomia.

Acabar com pensamentos como, ‘talvez isso não seja pra mim’, é um dos objetivos do grupo que, para isso, busca a união das meninas e o reconhecimento de todas as pessoas. O trabalho de conscientização começou com o primeiro passo para um ambiente acolhedor no Instituto de Computação (IC) da Ufal: quebrar o “gelo”. Elas apelaram por empatia até conseguirem unir forças.

“Antes do projeto, as poucas meninas que tinham nem se cumprimentavam, muitas por timidez. Depois houve, realmente, uma união, a força das meninas do Instituto”, relatou Ester de Lima, aluna de Engenharia da Computação que faz parte do grupo, explicando que o projeto foi criado e pensado para o melhor convívio e apoio às alunas do IC.

“A gente está fazendo ações aqui para unir as meninas, para elas não ficarem tão isoladas. Conhecendo outras meninas você tem um apoio. Falta mostrar que estão lá, para elas verem que é possível”, completa Kamila Benevides, membro do grupo, estudante do 4º período de Ciências da Computação.

Minoria em luta

A sensação de que estão sozinhas vem de dados reais que mostram que as mulheres ainda são minoria. De acordo com a Unesco, 30% dos cientistas do mundo inteiro são mulheres. Pensando nelas, foi instituído o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, para lembrar que temos realidades como a do Instituto de Computação da Ufal, que revela cursos majoritariamente masculinos, com cerca de 10% de meninas no corpo discente.

A estudante do 4º período de Engenharia da Computação da Ufal acredita que as estatísticas são resultados de um “machismo cultivado durante muitos anos em nossa sociedade”. Ela ressalta que o estímulo em casa pode despertar grandes talentos.

“A gente precisa entender que Playstation também pode ser presente para uma menina de dez anos, ou uma bicicleta… A menina pode brincar de astronauta, de engenheira, e ela deve fazer isso para que incentive a chegar até aqui. A gente precisa quebrar essa cultura”, disse.

Se a luta é para mostrar que o gênero não é critério para ingressar na área, os desafios continuam quando as meninas conseguem uma vaga nos cursos onde são minoria. Elas relatam falta de acolhimento por parte de alunos e professores e sentimento de inferioridade.

“Eles diminuem um pouco a gente em relação aos trabalhos, se sentem superiores, e isso nos deixa um pouco cabisbaixas. Só que a gente quer igualar isso. A gente não quer se sentir superior, quer igualdade, quer que eles reconheçam que temos as mesmas capacidades”, destaca Kelly Silva, integrante do Katie.

O grupo que objetiva unir as mulheres da ciência também precisa do olhar com equidade por parte dos homens. “A gente não está levantando bandeira de feminismo, a gente quer o apoio deles para que entendam que nós somos tão capazes intelectualmente, fisicamente e emocionalmente quanto eles. E que a gente está buscando o nosso espaço aqui”, ratifica Luana.

Por mais reconhecimento

Para formar meninas fortes é preciso semear o reconhecimento do próprio valor. E isso o projeto Katie também está empenhado em fazer. Avaliando as estatísticas do ingresso de mulheres dos cursos de Ciência e Engenharia da Computação na Ufal, o grupo coordenado pela professora Eliana Almeida planeja diversas ações fora da instituição para incentivar as meninas a escolherem graduações nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

No último ano, dos 140 ingressantes no Instituto de Computação, apenas 18 eram do sexo feminino. Para mudar esses números, as integrantes do Katie já realizaram workshops e palestras em escola pública apresentando os cursos, e sentiram que conseguiram plantar uma semente que pode florescer brevemente. Durante as dinâmicas, as alunas fizeram cartinhas sobre planos de futuro e já colocaram expectativas relacionadas às áreas das ciências.

O caminho seguido pelas estudantes do IC ainda vai inspirar muita gente. É que no mês de março elas vão apresentar o projeto no 1° Simpósio de Mulheres em Stem [do termo em inglês Science, Technology, Engineering and Mathematics]. O evento será realizado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e vai reunir representantes de projetos e iniciativas com propósitos de atrair meninas e manter jovens estudantes e profissionais nessas áreas.

“A gente quer conhecer outras mulheres que chegaram a postos muito altos que vão falar sobre a trajetória, a formação e as dificuldades que passaram, os conselhos que têm para dar. Isso vai ser muito importante tanto para nossa formação pessoal quanto no nosso projeto”, contou Luana sobre as expectativas de participar do evento e compartilhar experiências.

Para conhecer o trabalho delas, siga o Instagram @katie.ufal e saiba mais sobre a maior motivação dessas meninas: “A proposta é que mais Katies Bouman apareçam, que mais mulheres descubram um algorítimo ou criem algo do tipo”, encoraja Ester.

Fonte: Universidade Federal de Alagoas