UEM trabalha para desenvolver teste rápido e seguro para a dengue

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A medida pode ser uma forma de facilitar o diagnóstico da doença que assume quadros cada vez mais preocupantes, com riscos de uma grande epidemia no Estado

Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá desenvolvem um projeto fomentado pela Fundação Araucária para o desenvolvimento de teste rápido e específico para diferenciar os quatro subtipos de vírus causadores da dengue.

Os arbovirus, que são vírus transmitidos por mosquitos, também são causadores da Chikungunya e Zika. Para avaliar se o paciente foi ou está infectado geralmente são feitos testes sorológicos que são úteis para a detecção de anticorpos formados contra o vírus (IgM e IgG).

O problema é que esse grupo de vírus apresenta muitas semelhanças na estrutura do DNA e das proteínas, o que dificulta o diagnóstico sorológico pois, os anticorpos produzidos por pacientes infectados por dengue podem reconhecer proteínas de outros vírus desta família. Assim, os resultados podem ser duvidosos, impedindo a diferenciação de qual arbovirose está infectando o paciente.

O diagnóstico precoce e seguro da doença pode impactar antes de tudo na agilidade do tratamento, diminuindo as chances de complicação da doença Lembrando que cada vírus possui um nível de agressividade, podendo evoluir para formas mais graves, como é o caso da dengue hemorrágica. O impacto também se dá nas ações de prevenção e controle epidemiológico da dengue.

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Érika Seki Kioshima: dois anos de trabalho já realizados e perspectiva de mais dois

 

Resultados promissores

Estes dois fatores combinados apontam a importância do estudo desenvolvido pelos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Fisiopatologia da UEM. A professora Érika Seki Kioshima Cotica, coordenadora do projeto, explica que os resultados são promissores. Segundo ela já foram feitos  estudos de bioinformática do genoma dos vírus e ainda a criação e produção da quimera, proteína idealizada a partir de sequências específicas de três proteínas do vírus da dengue.

Érika diz que foram empreendidos dois anos de trabalho até chegar neste protótipo que se mostrou capaz de identificar as especificidades de cada uma das famílias de vírus.

Os resultados obtidos em escala laboratorial apontam que é possível produzir quantidades razoáveis da quimera para os testes sequenciais. “O grande desafio é eliminar as reações cruzadas no sorodiagnóstico do Zika Vírus”, anuncia a pesquisadora da UEM.

Desdobramentos

O diagnóstico para a dengue é somente uma parte do projeto, que tem perspectiva de mais dois anos de trabalho. A próxima etapa é desenvolver o diagnóstico diferenciado para a Chikungunya.

Além disso, há um estudo já concluído, que foi objeto de uma dissertação de mestrado. O trabalho desenvolvido está relacionado com a produção da proteína recombinante para o diagnóstico da Zika.

O projeto global recebeu R$ 250 mil em financiamento da Fundação Araucária e tem envolvimento de dois trabalhos de iniciação científica, dois de mestrado e um de doutorado. Além da participação do professor Flávio Augusto Vicente Seixas, do Departamento de Bioquímica, que coordenou os estudos in silico da sequência proteica.

Fonte: Universidade Estadual de Maringá