IFMS: Pesquisas investigam questões do setor agropecuário

Projetos se concentram principalmente na agricultura, buscando combater doenças e ampliar produtividade em diversas culturas.

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Com foco no setor agropecuário, no Campus Ponta Porã do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMS) as pesquisas desenvolvidas dentro da iniciação cientifica visam combater doenças e aumentar a produtividade nas diversas culturas existentes na região Sudoeste do Estado.

Com parte dos cursos concentrados no eixo tecnológico de Recursos Naturais – como os técnicos em Agricultura (integrado e subsequente) e das graduações em Agronomia e Agronegócio – a resolução das demandas produtivas locais tem motivado os trabalhos desenvolvidos na unidade.

No ciclo 2018-2019 da Iniciação Científica, algumas pesquisas tiveram como tema a cultura do milho na região. Uma deles foi a “Farinha de sangue como adubação nitrogenada e sobre a severidade de doenças no milho”.

Desenvolvido na área experimental do Campus Ponta Porã, o projeto analisou a possibilidade de utilização de uma forma de adubação alternativa para a cultura do milho a partir da farinha de sangue, fonte natural de proteínas usada como ingrediente na indústria de alimentos para suínos, aves, peixes e outras espécies não ruminantes. Trata-se de uma matéria-prima coletada em frigoríficos, de origem bovina.

A pesquisa levou em consideração a importância do milho para agricultura – segundo grão mais produzido do Brasil, e que possui grande impacto na agricultura temporária no Estado, sendo cultivado em 9 mil estabelecimentos agropecuários, segundo o último Censo Agro – e o papel da adubação no equilíbrio nutricional da planta.

Baixo custo – Sendo o nitrogênio o nutriente mais absorvido e exportado pela cultura do milho, em funções estruturais e composição de clorofila, a farinha de sangue se apresentou como opção devido seu ao teor de nitrogênio e baixo custo.

“Um dos principais fatores que influencia diretamente na produtividade do milho é o uso da adubação. Além de possuir eficiência agronômica, o fertilizante deve ser economicamente viável e eficiente para o aumento da produção e lucro”, comenta o professor dos cursos de Ciências Agrárias da unidade, Antonio Viegas Neto, um dos responsáveis pelo projeto.

Integram ainda a pesquisa a docente Ligia Piletti, além das estudantes Camila Miliati e Karina Martins, do bacharelado em Agronomia, que atuaram como voluntárias.

A ideia para a pesquisa surgiu de Karina, durante uma aula sobre adubos com altos teores de nitrogênio. “Coincidentemente, meu pai trabalha em um frigorífico, local onde a farinha de sangue é obtida, pedi então a ele para fazer uma visita para entendermos um pouco mais sobre ela”, explica.

A discente pretende seguir com as pesquisas na área e já mira desafios futuros. “Poder aplicar o que vemos nas aulas é muito importante, pois desperta o interesse sobre o assunto. Serve também como incentivo para novas pesquisas, bem como para prosseguir na área e futuramente cursar o mestrado”, complementa.

A pesquisa foi apresentada na edição deste ano do Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica do IFMS (Semict), realizado no mês de julho em Campo Grande. Na continuação da pesquisa, prevista para o próximo ciclo, será abordado o controle alternativo de doenças no milho, com a busca do manejo integrado para aumento da produtividade sem o uso ou com redução de fungicidas.

Extratos vegetais – Outra pesquisa realizada em Ponta Porã, esta para o ciclo 2019-2020, visa ao estudo de tecnologias para melhorar a produtividade. Trata-se do projeto “Eficácia do uso de extrato aquoso de Aloe vera no manejo fitossanitário da cultura da soja”, também desenvolvido na área experimental da unidade.

Com foco tanto nas novas tecnologias quanto na validação ou sugestões de adequação delas, a pesquisa se concentra no controle de doenças que possam atacar as plantações da região, inicialmente na soja, principal cultura do agronegócio brasileiro. O país é um dos principais produtores da oleaginosa no mundo.

“Com a vultuosa área, associada ao cultivo intensivo em monocultura, vários microrganismos causadores de doenças na cultura evoluem e adquirem resistência aos princípios alvos de defensivos utilizados no controle fitossanitário da soja”, destaca o coordenador do projeto, Marcio Rigotte, docente do campus e coordenador do curso de Agronomia.

A pesquisa se baseia no uso da babosa (Aloe vera) – utilizada amplamente para fins cosméticos e terapêuticos, sendo cientificamente comprovada sua ação contra microrganismos, principalmente em seres humanos – sobre o desenvolvimento de doenças e produtividade em condições de cultivo.

“Um feirão de frutas e verduras da cidade se ofereceu para disponibilizar morangos para teste, pois há interesse na tecnologia devido ao fato dela ser natural e não deixar resquício de sabor. Ou seja, existe uma demanda do mercado por esse tipo de tecnologia”, apontou o coordenador do projeto, Marcio Rigotte.

Após a aprovação do projeto, ele foi ampliando e passou a abranger planos de trabalho voltados a outras culturas como morango e feijão, além da utilização de novos extratos a partir do açafrão, cravo da índia e alecrim do campo.

“No pré-teste com o morango, baseado na aplicação da babosa, por exemplo, o fruto demorou mais para começar a estragar. Um feirão de frutas e verduras da cidade se ofereceu para disponibilizar morangos para teste, pois há interesse na tecnologia devido ao fato dela ser natural e não deixar resquício de sabor. Ou seja, existe uma demanda do mercado por esse tipo de tecnologia”, informa o coordenador.

Participam do projeto os docentes de Ciências Agrárias Tomaz de Souza, Izidro de Lima Júnior e Ligia Piletti, além de 17 estudantes do ensino técnico integrado e de graduação, sendo dois deles bolsistas, caso de Lorena de Abreu, do 8º semestre de Agronomia.

Ela, que já participou de outras pesquisas na área, encontrou o assunto que pretende continuar estudando. “Desde o início da graduação me simpatizei pela fitossanidade, a qual o trabalho se refere. Foi algo que também me ajudou a encontrar um norte para o meu trabalho de conclusão de curso. Tenho ainda a intenção de continuar os estudos na área durante a pós-graduação”.

Um dos projetos do Campus Ponta Porã analisa a aplicação de extratos vegetais no controle de doençasUm dos projetos do Campus Ponta Porã analisa a aplicação de extratos vegetais no controle de doenças

Investimento – No ciclo 2018-2019 da Iniciação Científica e Tecnológica do IFMS foram investidos R$ 12,8 mil nos projetos do Campus Ponta Porã, em recursos oriundos da instituição e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No total, três estudantes da unidade foram contemplados com bolsas de iniciação científica.

Desde 2014, foram desenvolvidos no campus 34 projetos de iniciação científica, que envolveram 118 estudantes entre bolsistas e voluntários. No mesmo período, os projetos da unidade receberam R$ 21,4 mil como apoio e incentivo a pesquisa e inovação, para o custeio de despesas com o desenvolvimento das pesquisas.

Feiras – As últimas cinco edições da Feira de Ciência e Tecnologia da Fronteira de Ponta Porã (Fecifron) reuniram 299 trabalhos dos estudantes de ensino fundamental e médio das escolas da região. Desde 2014, outros 55 trabalhos do Campus Ponta Porã foram apresentados no Semict, destinado a projetos de iniciação científica desenvolvidos dentro do Instituto.

As pesquisas realizadas por estudantes e docentes da unidade nos últimos cinco anos também acumulam 70 participações e 54 prêmios em eventos científicos, como a Feira de Tecnologias, Ciências e Engenharias de MS (Fetec/MS), Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec). No mesmo período, 98 alunos do campus receberam apoio institucional para participar dos eventos.

Fonte:  Instituto Federal de Mato Grosso