Ufal analisa distribuição espacial dos comércios de alimentos em Rio Largo

Objetivo é verificar quais tipos de alimento a população tem acesso

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A oportunidade de frequentar lugares onde haja uma oferta satisfatória de alimentos nutritivos é importante para manter uma rotina alimentar saudável. Diante de tantas opções de gêneros alimentícios industrializados, a ingestão de frutas e verduras acaba sendo negligenciada. Em cidades menores, locais onde até então predominavam as feiras livres, a dificuldade de acesso a alimentos saudáveis também já pode ser percebida. Foi o que revelou a pesquisa da estudante de Nutrição da Ufal, Nicole Almeida Conde Vidal, ao realizar o georreferenciamento dos comércios de alimentos de Rio Largo, município pertencente à região metropolitana de Maceió, para avaliar a distribuição espacial dos pontos de vendas.

“A análise do ambiente alimentar e nutricional em que a população está exposta é importante para verificar a quais tipos de alimento, saudáveis ou não, a população tem acesso”, explica. “E, assim, conhecer se o município é promotor de hábitos alimentares saudáveis ou de uma alimentação que é fator de risco para o desenvolvimento de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes”, acrescenta.

De setembro de 2017 a outubro de 2018, sob a orientação do professor Jonas Augusto Cardoso da Silveira, ela realizou a coleta de dados dos comércios de alimentos de Rio Largo. De acordo com a pesquisadora, “a cidade apresenta um ambiente alimentar precário, onde, aproximadamente, dois em cada três comércios vendem, majoritariamente, alimentos prejudiciais à saúde. E esses comércios estão distribuídos por toda a extensão urbana da cidade, diferentemente dos comércios saudáveis que estão concentrados em pequenas áreas”. Ainda de acordo com Nicole Vidal, “aproximadamente, 50% dos pontos de venda de alimentos saudáveis estão concentrados em apenas 5,3% da área urbana, dificultando a adesão da população a práticas alimentares saudáveis”. Segundo a estudante, “dentro do território urbano é possível identificar áreas extensas de desertos alimentares, espaços estes onde o acesso a alimentos saudáveis é precário ou inexistente”.

Sobre os impactos do estudo para saúde pública, ela afirma que a “pesquisa permite a compreensão do acesso à alimentação e as dificuldades de obter uma alimentação saudável e de qualidade, assim como compreender as altas prevalências de doenças crônicas não transmissíveis, devido ao ambiente não ser promotor de hábitos saudáveis”. Nicole sugere que o estudo “pode ser usado como subsídio para implantação de estratégias para o incentivo à abertura e permanência de comércios saudáveis, além de políticas de taxação de alimentos prejudiciais à saúde, dificultando sua comercialização pela cidade”.

Projeto SAND 

A pesquisa realizada por Nicole Vidal faz parte de um amplo trabalho, denominado Saúde, Alimentação, Nutrição e Desenvolvimento Infantil (SAND): um estudo de coorte. “O projeto SAND é uma coorte de nascimento que acompanhará as crianças do município de Rio Largo, em Alagoas, desde o nascimento até os 12 meses de idade, estudando vários aspectos relacionados à saúde da criança, incluindo a análise do ambiente alimentar da cidade a partir do georreferenciamento de todos os comércios de alimentos, sendo este último o objetivo do meu estudo em particular”, relata. “É um estudo pioneiro no Estado ao realizar uma coorte de nascidos vivos, estudando um período fundamental para o crescimento e desenvolvimento infantil”, ressalta.

A etapa da pesquisa realizada pela estudante de Nutrição foi feita por meio de uma parceria entre a Faculdade de Nutrição (Fanut) e o Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (Igdema) da Ufal, por meio dos laboratórios de Nutrição em Saúde Pública (Lanusp) e de Geoprocessamento Aplicado (LGA). “Foi uma parceria fundamental para o geoprocessamento dos pontos de venda de alimentos, sendo possível analisar sua distribuição espacial”, diz.

O trabalho recebeu o título de Excelência Acadêmica 2017 – 2018 do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) da Ufal e foi apresentado durante a 71ª Reunião Anual da  Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. “Esse reconhecimento demonstra a qualidade e importância do trabalho executado, que não seria possível sem o suporte do professor Jonas Silveira e de toda a equipe do projeto SAND, que se empenharam para coletar e produzir conteúdos de qualidade e com relevância para a comunidade”, ressalta.

Ao defender a importância de fazer pesquisa e o espaço encontrado na Ufal, a estudante de Nutrição afirma que “a pesquisa é essencial para a formação acadêmica e prática profissional a partir da produção e uso de evidências relevantes para a sociedade”. E destaca: “A Universidade me permitiu vivenciar diferentes áreas de pesquisa e conhecer laboratórios com áreas de estudos e metodologias distintas, até encontrar o Laboratório de Nutrição em Saúde Pública, por meio do contato com disciplinas que tenho interesse, sendo possível aprimorar conhecimentos e desenvolver pesquisas dentro dessa área, onde também desenvolvi o interesse pela pós-graduação e docência”.

Grupo de pesquisadores da SAND

Fonte: Universidade Federal do Alagoas