Fiocruz: Tabagismo responde por seis milhões de mortes por ano no mundo

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“Há 1,1 bilhão de fumantes no mundo e cerca de quatro em cada cinco vivem em países de baixa e média rendas. Principal fator de risco de morte por doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo é o responsável por seis milhões de óbitos ao ano.” A informação de alerta vem de um artigo publicado no Cadernos de Saúde Pública, revista científica da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). De autoria dos pesquisadores Marcia Pinto, Ariel Bardach, Alfredo Palacios, Aline Biz, Andrea Alcaraz, Belen Rodriguez, Federico Augustovski e Andres Pichon-Riviere, o artigo intitula-se Carga do tabagismo no Brasil e benefício potencial do aumento de impostos sobre os cigarros para a economia e para a redução de mortes e adoecimento.

Segundo o artigo, um total de 603 mil mortes anuais são atribuíveis ao tabagismo passivo, das quais 28% em crianças. Esse fator de risco está associado a 75% dos casos de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), 22% e 10% das mortes entre adultos por câncer e doenças cardíacas, respectivamente, relatam os autores. “A evidência epidemiológica recente aponta que novas doenças, como o câncer de mama, de próstata e os transtornos vasculares intestinais são em certa medida atribuíveis ao tabagismo.”

“A perda total global com o tabagismo alcança 1,4 trilhão de dólares ao ano ou 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, sendo que, aproximadamente 40% dessas perdas, ocorrem em países de baixa e média rendas e, dos cinco países do BRICS, quatro – Brasil, Rússia, Índia e China – são responsáveis por 25% do custo global atribuível ao tabagismo”, diz o artigo. Já sob a perspectiva do setor saúde, o custo da assistência representa 15% do gasto total em alguns países e, em somente sete países latino-americanos, equivale a 8,3%, acrescenta.

Conforme chama a atenção o artigo, o tabagismo é o terceiro fator de risco responsável pelo número de mortes e anos de vida perdidos com qualidade em países da América do Sul. “Está associado com a redução da produtividade e com elevados desembolsos das famílias, fatores que contribuem para o recrudescimento da pobreza. A perda de produtividade é resultado da morte prematura que ocorre antes do indivíduo se aposentar e também, de forma indireta, da redução da produtividade devida às doenças crônicas associadas ao tabagismo.”

O Brasil destaca-se no cenário mundial pela sua Política Nacional de Controle do Tabaco, na qual estão integradas às diretrizes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (CQCT-OMS) ratificada pelo país há mais de dez anos (Decreto nº 5.658 de 2006). Apesar de ser um dos líderes em número de fumantes, entre 1990 e 2015 foi um dos países que registrou uma redução significativa da prevalência entre homens e mulheres de 56,5% e 55,8%, respectivamente, observa o artigo.

Esses avanços são importantes, de acordo com os autores, mas dados de 2011 mostraram que a magnitude da carga da doença associada ao tabagismo ainda é elevada, com cerca 147 mil mortes e 2,69 milhões de anos de vida perdidos ao ano, além de gerar um custo anual para o sistema de saúde de 23,37 bilhões de reais. Dessa forma, esse estudo contribuiu para estimar a carga da doença e econômica associada ao tabagismo para o Brasil, em 2015, e predizer os benefícios econômicos e em desfechos de saúde, valendo-se do aumento de impostos incidentes sobre os preços de venda de cigarros para um cenário de dez anos.

Os pesquisadores ressaltam que as medidas custo-efetivas para evitar mortes e adoecimento devido ao tabagismo devem ser intensificadas. “Os custos para a sociedade refletem um importante custo de oportunidade e a compensação pelos danos é um tema oportuno para debate na agenda do controle do tabagismo. Esses recursos podem ser investidos na implementação plena da CQCT-OMS, mas não devem se restringir somente a este fim, pois outras políticas públicas poderiam se beneficiar desta compensação”, finalizam.

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz