Pesquisa da UEL aponta evasão populacional em 150 distritos do Paraná

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O total de 150 distritos do Paraná registram evasão populacional de mais de 68 mil pessoas, conforme apontou os três últimos censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerando a população urbana e rural, a evasão é mais de 17 mil famílias. É o que mostra o projeto de pesquisa “Esvaziamento populacional nas cidades paranaenses”, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU).

Coordenado pelo professor recém-aposentado, Nestor Razente, o projeto é um recorte de distritos oficiais do IBGE, nos censos de 1991, 2000 e 2010. Para a pesquisa, foram considerados os distritos em que a cidade e o município também registraram perda significativa de população. O Paraná tem 399 municípios, 358 distritos, e população total de 11,35 milhões de pessoas.

O objetivo da pesquisa foi identificar distritos completamente abandonados no Estado, assim como ocorreu nas últimas décadas na Espanha, nos chamados pueblos, que apresentam características semelhantes aos pequenos aglomerados urbanos brasileiros.

Segundo o professor Razente, não foi identificado nenhum distrito “fantasma” no Paraná. Por outro lado, as regiões que mais perderam população foram Oeste e Sudoeste – na divisa com o estado de Santa Catarina. Ele conta que o esvaziamento na região Oeste ocorreu em função do fim do ciclo do café nas zonas rurais com a geada de 1975, porém foi surpresa o registro de evasão na parte sul do estado, localidade em que a cultura não foi cultivada.

Grandes cidades – O interesse pelo tema surgiu porque demais urbanistas demonstram mais interesse com temas ligados à preocupação com planejamento urbano e problemas de grandes metrópoles, em detrimentos de pequenos municípios. Razente explica que o problema reside na maior preocupação, por parte dos pesquisadores, com o crescimento populacional nas grandes cidades, o que resulta no investimento em políticas públicas específicas para lidar com a situação.

Por outro lado, o esvaziamento populacional em distritos e pequenas cidades é esquecido. Ela cita como exemplo as cidades americanas de Detroit e Gary, que no século passado sofreram grandes problemas decorrentes não do crescimento, mas do esvaziamento populacional. “Nós ainda não enxergamos que isso também está acontecendo no Paraná”, afirma.

O professor lembra que na década de 1980, houve uma tentativa do governo do estado de investir em pequenas cidades, como alternativa para evitar a migração para as cidades maiores. Com investimento do Banco Mundial, a iniciativa resultou na criação de empregos temporários na área da construção civil, para construção de escolas, pavimentação e estruturas de saneamento básico.

Ainda segundo Nestor, isso segurou a população por quatro ou cinco anos nessas cidades menores, mas não evitou por completo a migração para cidades maiores, localizadas dentro do próprio Paraná, além de outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Perda populacional – No caso dos pueblos, da Espanha, o motivo foi a falta de emprego – os jovens migraram para outras cidades em busca de trabalho, ficando apenas a população idosa no local. O professor acredita que o mesmo motivo leva à evasão dos distritos do Paraná, mas é difícil comprovar o deslocamento da população ao longo dos anos.

A resposta deve ser dada após a coleta dos dados do Censo 2020, em que serão feitas análises mais profundas sobre o deslocamento populacional. Como o professor não está mais na academia, o intuito é produzir um livro com o resultado dessa pesquisa.

Livro – Em 2016, Nestor Razente publicou o livro “Povoações abandonadas no Brasil” (EDUEL, 372 páginas) que faz um levantamento inédito sobre cidades brasileiras que morreram, ou seja, perderam suas populações, deixando um rastro de ruínas, além do registro histórico.

A pesquisa apontou que oito cidades brasileiras deixaram de existir entre os séculos 19 e 20. São elas: Ararapira (PR), Biribiri (MG), Airão Velho (AM), Desemboque (MG), Bom Jesus do Tocantins (TO), Cocori (SE), Fordlândia (PA) e Ouro Fino (MG).

Fonte: Universidade Estadual de Londrina