UFSC leva informação para comunidades do Piauí

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Mais de três mil quilômetros separavam os oito estudantes da UFSC selecionados pelo Projeto Rondon da cidade onde irão atuar. Isso até a tarde da última quinta-feira, 11 de julho, quando os jovens, acompanhados de duas professoras, embarcaram rumo a Paquetá — um entre os dez municípios do Piauí onde serão desenvolvidas atividades da Operação João de Barro, pelo Projeto Rondon.

O Projeto Rondon

O Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa, visa integração social e envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da população. É realizado em parceria com diversos ministérios e tem o apoio das Forças Armadas, que proporcionam o suporte logístico e a segurança necessários às operações.

Os rondonistas realizam atividades concentradas nas áreas de Comunicação; Cultura; Direitos Humanos e Justiça; Educação; Meio Ambiente; Agropecuária; Saúde; Tecnologia e Trabalho. As Instituições de Ensino Superior participantes devem propor ações com caráter de extensão, que contribuam para o desenvolvimento sustentável das comunidades e o fortalecimento da cidadania do estudante, pensando no bem-estar social e na qualidade de vida das comunidades carentes, usando para isso, as habilidades e as técnicas adquiridas pelos estudantes durante a formação universitária.

Os oito estudantes da UFSC foram selecionados de acordo com os critérios do edital 087/2018, que previa a elaboração de um trabalho contextualizando o território onde será desenvolvida a operação, juntamente com duas propostas de ações. As equipes trabalham no município durante duas semanas, após treinamentos de cerca de dois dias na capital do Estado onde irão atuar.

Esta é a 29ª participação de uma equipe da UFSC no Projeto Rondon, que colabora  desde 2005, quando houve a retomada do projeto. Segundo a vice-reitora, entre a década de 70 e 1988, a UFSC tinha uma sede em Santarém, no Estado do Pará, onde residiam professores da Universidade e eram acolhidos os estudantes que iam participar das operações, com a duração de permanência de um mês. O Projeto coordenado pelo Ministério da Defesa estabelece que suas regiões prioritárias de atuação são aquelas com maiores índices de pobreza e exclusão social, bem como áreas isoladas do território nacional e que necessitem de maior aporte de bens e serviços. Por essa razão, a Diretriz Estratégica do Projeto Rondon prioriza as regiões Norte e Nordeste do país. Ao todo, já participaram cerca de 20.090 rondonistas em 155 operações. A previsão dessa vez é que 440 rondonistas participem do Projeto, distribuídos nas operações Vale do Acre, no Acre, e João de Barro, no Piauí.

Os estudantes

Alice de Maman Nied  (Engenharia de Alimentos): Alice está na 9ª fase do curso, já conhecia o Projeto Rondon a partir da experiência de alguns amigos, e decidiu inscrever seu projeto. A estudante vai fazer uma oficina sobre segurança alimentar falando das políticas públicas na área para os gestores do município, e outra oficina para a comunidade em geral sobre alimentação saudável. Além disso, também participará de uma oficina de confecção de óculos de realidade virtual com papelão, e outra direcionada aos professores, sobre metodologia de ensino e aprendizagem.

Bárbara Rahn (Farmácia): A estudante da 9ª fase já queria participar do Projeto Rondon desde que entrou na UFSC. “Eu sempre quis conhecer realidades diferentes, o Brasil é muito grande e eu acho que será uma experiência muito enriquecedora”, conta Bárbara, que pretende fortalecer principalmente a área da saúde na região onde atuará. Ela vai desenvolver oficinas relacionadas à vacinação, buscando aumentar a cobertura vacinal da população, além de integrar as equipes de saúde com as de vigilância epidemiológicas da cidade, a fim de tornar a saúde preventiva mais efetiva.

Bianca Tribéss (Psicologia): Estudante da 7ª fase, Bianca conta que já conhecia o Projeto antes mesmo de entrar na universidade. Em 2015 participou do II Congresso Nacional do Projeto Rondon, que aconteceu na UFSC, para se informar melhor sobre o projeto e foi onde conheceu outros estudantes que já tinham participado. “Sair um pouco da universidade e conhecer outros órgãos e instituições vai ser bem importante, vamos tentar articular o que já existe lá com os projetos que estamos levando e que podemos construir juntos”, espera Bianca. Ela vai desenvolver oficinas sobre a Lei Antimanicomial e sobre os primeiros auxílios psicológicos de atenção que devem ser prestados em casos de crise.

Felipe Mateus Ubema Giancomi (Medicina): A prima de Felipe e outros de seus amigos já participaram do Projeto, o que fez o estudante da 9ª fase de Medicina sonhar em fazer parte de alguma operação logo que entrou na universidade. Ele acredita que é uma chance de levar os conhecimentos que desenvolveu para uma região completamente diferente, o que também trará a oportunidade de um intercâmbio cultural dentro do próprio país. Felipe desenvolverá projetos na área de saúde e cultura, com oficinas de orientação sobre  doenças sexualmente transmissíveis, e pretende criar espaços para estimular a cultura da região.

João Pedro de Toni de Almeida (Engenharia Mecânica): O estudante da 7ª fase de Engenharia Mecânica conheceu o Projeto Rondon ouvindo as experiências de dois amigos que participaram de operações em 2017 e 2018. Ele conta que sempre teve vontade de trabalhar em projetos sociais, e gosta muito da proposta do Rondon, que não é desenvolver ações pontuais e sim duradouras, que passem a integrar a comunidade mesmo depois que os estudantes voltarem pra casa. João está muito curioso sobre o que encontrará no Piauí, por se tratar de um contexto social completamente diferente do seu.

Maria Eduarda Coelho (Medicina Veterinária): Estudante da 10ª fase de Medicina Veterinária do campus de Curitibanos, ela acredita que será a chance de passar conhecimentos adquiridos na universidade para pessoas que não tiveram a mesma oportunidade. “Nossa instituição é federal, então é com a ajuda de todo mundo que estamos aqui dentro estudando. Poder retribuir isso de alguma forma é minha principal motivação”, contou. Ela pretende ajudar na criação de um plano municipal dos direitos das crianças, visando um trabalho conjunto com pais e professores para assegurar direitos básicos da infância: o de estudar, permanecer na escola, brincar e fortalecer a luta contra o trabalho infantil e a exploração sexual.

Victor Milis Wandelli (Odontologia): Estudante da 8ª fase, Victor se inscreveu no Projeto pensando em dar um retorno para a sociedade, a partir da perspectiva de que sua formação profissional está sendo custeada através dos impostos de toda a população. Ele acredita que será a oportunidade de ter uma vivência mais prática e interdisciplinar, onde poderá aplicar os conhecimentos técnicos que aprendeu durante a graduação. Victor ministrará uma oficina sobre bullying, abordando a descrição e histórico do tema, e discutirá com profissionais da educação da cidade como e de que formas a prática está presente no cotidiano das escolas. A ideia é entender o problema — que lá é chamado de “mangá” — e traçar  um plano de ação com estratégias de enfrentamento para cada escola.

Viviane Pereira Machado (Eng. Sanitária e Ambiental): Estudante do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da 8ª fase, Viviane está inscrevendo um projeto pela segunda vez no Projeto, e desta vez foi contemplada. A partir dos relatos de uma amiga que já participou, a estudante decidiu que buscaria participar do Projeto antes de terminar sua graduação na UFSC. “É um trabalho voluntário que te tira da zona de conforto. Teremos a possibilidade de conhecer e entender a cultura local, não temos a pretensão de levar uma suposta ‘cultura sulista’, mas sim trocar experiências e fortalecer o desenvolvimento social da região”. A estudante vê as oficinas que serão realizadas em Paquetá como um espaço de troca, onde os estudantes terão contato e entenderão os problemas daquela população. Uma das oficinas será sobre handebol e educação, abordando as práticas esportivas no contexto educacional, além de cine debates e conversas sobre segurança e hábitos alimentares.

Fonte: Universidade Federal de Santa Catarina