Pesquisa da UFT analisa influência do YouTube na construção da imagem da mulher negra

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Por Gabriela Melo (PPGCom) | Revisão: Samuel Lima | Publicado: Quarta, 05 de Junho de 2019, 09h30 | Última atualização em Quarta, 05 de Junho de 2019, 09h45

Lucia Gomes é mestranda pela UFT (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)Lucia Gomes é mestranda pela UFT (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

A mestranda Lúcia Gomes tem desenvolvido a pesquisa intitulada “Narrativas de mulheres negras em canais do Youtube” pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) com o objetivo de compreender como as mídias sociais, mais especificamente o YouTube, têm contribuído para a construção de uma nova perspectiva sobre a imagem da mulher negra nos dias atuais.

Lúcia afirma que toda menina negra que, como ela, viveu infância e adolescência entre o final da década de 80 e início de 90, testemunhou um período histórico bastante emblemático. As apresentadoras dos programas infantis mais populares exibidos em rede nacional, pelas principais emissoras da época, eram brancas, loiras e de olhos claros. Nas telenovelas, nas bancadas dos telejornais, nos comerciais o padrão de beleza de quem aparecia tinha em comum a pele clara, lábios finos, cabelos lisos e nariz delicado.

“As meninas negras não se viam. Na maioria das produções, as mulheres negras não ocupavam lugares de destaque, geralmente aparecem em papéis de empregada doméstica, escrava, o da mulher sensual, ou da que mora na favela. Não que isso desmereça alguém, mas quando isso é uma espécie de regra, fica cristalizado que é só esse o lugar que cabe para nós mulheres negras”, ressalta.

A pesquisa utiliza da metodologia de análise de narrativas de cinco mulheres negras que produzem conteúdo para canais do Youtube. “Com o surgimento da internet e da possibilidade de se produzir o próprio conteúdo, aquelas meninas/mulheres que não se viam representadas nos meios tradicionais de comunicação passaram a produzir um material onde elas são as protagonistas e onde é possível apresentar ao mundo que a mulher negra pode ser muito mais do o que mostram geralmente”, afirma a pesquisadora.

Fonte: Universidade Federal do Tocantins