FEUC descobre vírus que mata espécies de anfíbios e peixes por infecções

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O professor de biologia da FEUC, Prof. Dr. Edílson José Guerra obteve recentemente sua
titulação de Pós-doutorado com uma pesquisa inédita realizada na USP sob a orientação do Prof. Dr. Ricardo Luiz Moro de Sousa, especialista em biologia molecular. Durante a realização dos trabalhos, o professor Edílson coletou anfíbios em matas pertencentes a 11 municípios paulistas, inclusive uma em São José do Rio Pardo.

Durante os trabalhos de coleta, o professor Edílson conseguiu reunir 169 espécimes de
anfíbios anuros em estado selvagem pertencentes a 23 espécies, 06 famílias e 12 gêneros e 44 espécimes de anfíbios exóticos pertencentes à espécie Lithobates catesbeianus, que foram capturados em estado de confinamento em dois ranários paulista, um localizado no município de Matão-SP e outro no município de Taubaté-SP. Ao todo, foram capturados e avaliados 213 espécimes de anfíbios anuros dos quais foram extraídos os rins, fígado e baço para posterior diagnóstico da presença do Iridovirus através da técnica da PCR.

Durante a pesquisa o Prof. Dr. Edílson, sob a supervisão do Prof. Dr. Ricardo Moro, da
USP, investigou infecções causadas por vírus que estão matando muitas espécies de anfíbios e peixes em nossa região. A morte desses animais era atribuída mais pelo efeito estufa, agora, porém já sabemos que além desse problema temos também um vírus que está circulando e matando muitas espécies de rãs, sapos e pererecas. Até o momento, os poucos trabalhos desenvolvidos nessa área restringiam-se apenas às espécies de rãs criadas em cativeiro para fins comerciais, sendo este, o primeiro trabalho a detectar vírus que infetam e matam espécies selvagens.

Essa pesquisa é de valor científico inestimável, uma vez que os anfíbios compõem um
grupo de grande importância ecológica, tanto por sua grande biodiversidade quanto pelo fato de corresponderem a um grupo de interface entre a água e a terra, sendo os principais responsáveis pelo intercambio de nutrientes entre o ambiente aquático e o terrestre.

Além disso, os anfíbios são considerados como indicadores biológicos sensíveis a diversos
fatores de alterações ambientais. Os anfíbios são também uma fonte riquíssima em compostos biologicamente ativos, utilizados em pesquisas farmacológicas, por isso, a perda de sua biodiversidade, além de causar um enorme desequilíbrio ambiental, acarreta também a perda de um relevante patrimônio genético acumulado durante bilhões de anos que auxiliariam o desenvolvimento de substâncias biomedicamentes relevantes no campo da biotecnologia.

A maioria dos anfíbios vivem em ambientes alagados e apresentam atividades noturna,
assim o maior sucesso de captura ocorre em noites chuvosas. Para esse tipo de coleta, o
pesquisador, além do conhecimento prévio dos locais com maior probabilidade de ocorrência dos anfíbios, deve também conhecer detalhadamente o local de captura, o que deve ser feito durante o dia.

No início da pesquisa, ainda sem muita experiência com coletas noturnas, o Prof. Edílson,
logo após a realização de uma extensiva coleta noturna, ficou perdido durante horas em uma mata localizada no município de Leme-SP, conseguindo sair do bioma somente após o dia ter amanhecido. Segundo o professor, esse inconveniente somente ocorreu por ter subestimado a regra mais básica para coleta noturna, o prévio conhecimento diurno do local do trabalho noturno.

Segundo o professor, em tais situações, a utilização de bússolas é de grande utilidade e
sempre mais recomendada ao uso de aparelhos de GPS, uma vez que os trabalhos são sempre  realizados em ambientes aquáticos, o que pode facilmente danificar o aparelho.

Soma-se ao fato de que os aparelhos de GPS necessitam ser alimentados com baterias, o que poderia limitar o tempo de permanência no local de coleta. Outro inconveniente do uso de GPS são as frequentes perdas de sinal com o satélite ficando assim incomunicável, deixando o pesquisador totalmente desorientado em um lugar desconhecido, ou seja, em trabalhos de campo.

As tecnologias modernas ajudam muito, porém, nada substitui a velha e boa bússola. Outra situação embaraçosa vivenciada pelo Prof. Edílson foi o encontro inesperado com jacarés que estavam caçando nas lagoas onde o professor estava coletando anfíbios. “Os jacarés são animais extremamente difíceis de serem avistados durante a noite, salvo quando o facho da lanterna incide coincidentemente sobre seus olhos, o que provoca uma reflexão da luz em sua retina”.

Durante as coletas, o professor da Faculdade Euclides da Cunha-FEUC teve dois
encontros inesperados com jacarés, uma vez em uma lagoa situada no município de Leme-SP e outra em uma lagoa localizada no campus da USP de Pirassununga-SP. Nesse último encontro inusitado eram dois jacarés que estavam em atividade de caça de tocaia a aproximadamente um metro de distância da equipe de coleta. “Esses animais são exímios predadores e extremamente silenciosos, por isso, muita cautela ao adentrar em lagoas, principalmente aquelas com presença de taboas, as quais dificultam ainda mais sua localização”.

Relatos de encontros com serpentes, onças pardas, cachorros do mato e outras espécies
selvagens também não faltaram nessa pesquisa, no entanto, “esses acontecimentos sem dúvida serviram para enriquecer e aprimorar minhas metodologias de trabalho de campo e ensinar meus alunos em como proceder em situações como essas”.

Fonte: Faculdade Euclides da Cunha