Machado de Assis é tema de pesquisa de doutorado na UFG

Estudo foi apresentado durante Colóquio sobre os 180 anos do autor brasileiro

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Um dos maiores nomes da literatura do Brasil completaria 180 anos em 2019. Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro e foi autor de diversos sucessos literários, como ‘Dom Casmurro’ e ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’.Para comemorar a data, a Faculdade de História da UFG realizou o “Colóquio Machado de Assis – 180 anos”, onde foram discutidas diversas temáticas relacionadas a literatura machadiana.

Na última sexta-feira (28/07), a professora Lúcia Granja, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), foi convidada para apresentar sua tese de doutorado com a temática “Machado de Assis (editor?) e seus editores”. Durante sua apresentação, a professora analisou a relação dos irmãos e editores Garnier Frères com o escritor Machado de Assis. Para ela, a relação do escritor com os Garnier envolvia três editores diferentes, embora da mesma família e com o mesmo sobrenome. “Eu passei os últimos sete anos da minha carreira pesquisando documentos em diferentes bibliotecas do Brasil e do exterior para melhor esclarecer a relação de Machado de Assis com seus editores”.

Para Lúcia, o questionamento principal de sua pesquisa é o porquê Garnier, editor de Machado de Assis, impediu os passos do escritor rumo à tradução e internacionalização de sua obra. “Machado de Assis não era um autor ligado diretamente aos irmãos Garnier como muito tem se pensado e afirmado ao longo dos anos. As características de cada um desses editores e as peculiaridades da relação estabelecida entre autor e editores são uma das principais razões da obra machadiana ter aguardado até 1910 para ser traduzida para a língua francesa e até 1911 para ser traduzida para o espanhol”. Segundo a professora, essa tradução era um importante meio para que as obras de Machado de Assis ganhassem circulação intencional, o que não veio a acontecer enquanto o escritor estava vivo.

Para discutir a relação dos editores com Machado de Assis, a professora apresentou a trajetória dos irmãos Garnier, no que diz respeito a mudança de país, da França para o Brasil. Segundo Lúcia, o caçula dos nove irmãos Garnier, Baptiste-Louis, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1838 ou 1844 e suas as estratégias comerciais juntamente ao seu trabalho e escolhas dos literatos contribuíram para que ele passasse a ser reconhecido como o grande editor dos textos brasileiros do século XIX. Nos anos de anos 1860, Machado de Assis e Baptiste-Louis Garnier se conheceram. “Machado era um jovem homem de Letras que frequentava o ambiente literário carioca e que precisava de um editor. Enquanto Garnier era um editor que tentava firmar essa atividade no País e precisava de autores brasileiros para essa conquista”.

A relação de Machado de Assis com Baptiste se estreitou e a partir dos anos 1860 e 1870 diversas obras do escritor foram publicadas. “Foram publicados livros de poemas, contos escolhidos e romances”, afirmou a professora. Embora a relação dos dois fosse aparentemente positiva, a professora defendeu que isso não resultou na internacionalização das obras. “Considerando a separação entre os irmãos de Paris e o do Rio de Janeiro, o caminho Brasil-França pelo canal Garnier estava interrompido. E, se não fosse pela via dos Garnier, a circulação da literatura brasileira no velho continente, embora fosse possível, passava por caminhos menos evidentes, que era necessário explorar. Isso explicaria o porquê de todas as tentativas conhecidas de tradução e possível circulação da obra machadiana na Europa terem partido do próprio escritor”.

Professora Lúcia Granja, da Unesp, pesquisou por sete anos a relação do autor com editores (Fotos: Natália Cruz)

Depois de diversos impasses relacionados à tradução das obras de Machado de Assis para outros idiomas e à gestão da editora, que foi assumida por diferentes membros da família, houve uma renovação na editora Garnier durante a fase Pierre-Auguste. Nesse período, a editora passou a permitir a tradução de obras francesas para o Português e para o mundo hispanofônico, e também de obras brasileiras para o Espanhol e o Francês. “Em 1911, a Garnier Hermanos publicou várias histórias, Memorias Póstumas de Bras Cubas e Don Casmurro, todos traduzidos por Rafael Mesa Lopes.Até 1913, sairia Quincas Borba. Nesse momento Machado de Assis já não vivia”, afirmou a professora. Ao final de sua fala, Lúcia ainda acrescentou seu desejo em publicar um livro com as respostas encontradas nas suas pesquisas a respeito de Machado de Assis. “Tenho publicado os resultados em artigos por enquanto, mas pretendo fazer um livro, além de elaborar outra pesquisa individual para responder novas perguntas que surgem a respeito do tema”, concluiu.

Fonte: Universidade Federal de Goiás