UFF incentiva alunos em competições esportivas

Programa Bolsa Atleta ajuda alunos a se manterem no esporte durante a graduação

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Escrito por jornalismo

Programa Bolsa Atleta ajuda alunos a se manterem no esporte durante a graduação

Programa Bolsa Atleta ajuda alunos a se manterem no esporte durante a graduação

Educação e esporte são campos que, apesar de distintos, podem se relacionar de diversas formas. Uma das maneiras de a UFF promover este vínculo acontece a partir do programa “Bolsa Atleta”, que oferece uma bolsa no valor de R$ 400,00 para cada estudante selecionado. A iniciativa, criada em 2012, incentiva atletas universitários a representarem a instituição em competições esportivas nacionais nas mais diversas modalidades individuais, tais como: xadrez, natação, tênis de mesa, canoa havaiana, judô, taekwondo e jiu-jitsu.

Segundo a diretora de apoio acadêmico da UFF, Márcia Pinto, o projeto tem como objetivo não só divulgar positivamente o nome da universidade, como também apoiar os alunos em suas necessidades esportivas. “Outro aspecto importantíssimo relacionado ao projeto é o impacto positivo no combate à evasão escolar. Sem esse tipo de iniciativa, muitos alunos acabam abandonando sua trajetória acadêmica. Desde sua criação, mais de 100 universitários já receberam o suporte financeiro da instituição”, destaca.

A seleção para a bolsa acontece anualmente e é organizada pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes). Para se inscrever, é preciso entregar os documentos requeridos pelo edital na reitoria da universidade. Este ano foram disponibilizadas 15 vagas. O processo de escolha dos inscritos se dá a partir da observação de seus desempenhos acadêmicos: é preciso manter o Coeficiente de Rendimento (CR) acima de seis e estar fazendo o número mínimo de disciplinas obrigatórias de seus respectivos cursos. Além disso, outro aspecto avaliado é o número de campeonatos que o estudante já participou e quantos ainda pretende disputar.

“Conciliar a vida acadêmica com o comprometimento esportivo é responsabilidade dos bolsistas; a universidade não exerce influência sobre o cotidiano dos estudantes”, explica a diretora. Ela acrescenta que o retorno exigido dos participantes é feito através de relatórios semestrais com informações das competições disputadas e o desempenho obtido.

Juntos nas piscinas e na universidade

Mariana Veloso, estudante de economia da UFF, fez parte do programa nos anos de 2015 e 2018. A atleta de natação relatou que conheceu a iniciativa assim que ingressou na instituição, através de um companheiro de treino que também é aluno da universidade. Ela destacou a relevância que a bolsa teve para sua evolução no esporte. “O programa foi fundamental para manter a qualidade dos meus treinos, pois com o auxílio financeiro consegui não só mantê-los, mas também me alimentar adequadamente e ter acesso a uma suplementação de qualidade”.

Apesar de sua vivência nas piscinas cariocas, a aluna explicou que representar a universidade em competições foi um diferencial em sua vida esportiva. “Durante a minha trajetória no esporte, tive a oportunidade de nadar em clubes como Flamengo, Botafogo e Vasco. Entretanto, nenhum deles me despertou tanto apego emocional quanto a UFF. Passar para essa instituição foi uma grande conquista na minha vida e eu tenho o maior orgulho de representá-la no esporte universitário”.

O Bolsa Atleta também serviu para realizar um desejo antigo da graduanda em economia: conciliar a vida de atleta com a rotina acadêmica. Para Mariana, este sempre foi um sonho distante; porém a chance de levar estas duas experiências em paralelo mudou sua forma de entender a universidade. “Aqui no Brasil, são raras as oportunidades de ensino superior para um atleta de alto rendimento. O programa Bolsa Atleta me deu a chance de viver essas duas realidades. A UFF deixou de ser apenas um lugar de desenvolvimento acadêmico e profissional, mas passou a ser também uma ferramenta de incentivo ao esporte”.

Já o nadador Leonardo Rodrigues Vairo, estudante do 6º período de Segurança Pública e Social, foi bolsista em 2018 e esse ano recebe a bolsa de novo. O atleta, que é namorado de Mariana, contou que anteriormente precisou largar o esporte para focar no vestibular. “Em 2015, parei de nadar pra focar nos estudos e consegui ingressar na UFF. Sou de Niterói e sempre tive esse objetivo na minha vida. Entrei na instituição no segundo semestre de 2016 e pensei em voltar a nadar competitivamente nesse momento, mas esbarrei em problemas financeiros. Em 2018, voltei para o Flamengo pensando que em algum momento receberia uma ajuda mínima do clube para ao menos conseguir manter minhas atividades, o que não aconteceu. Foi quando a Mari me avisou sobre a abertura do edital para o Bolsa Atleta. Conseguir o auxílio foi fundamental pra eu continuar nadando. Gosto muito de contar essa história: parei de nadar para entrar na UFF e depois foi ela que me ajudou a voltar pro esporte e me manter nele”.

A relação do casal está diretamente ligada ao esporte. Mariana e Leonardo se conheceram através da natação e desde a época em que ainda não eram estudantes da universidade, já participavam de competições juntos. Atualmente, o bolsista desempenha a função de treinador da namorada, que, por sua vez, o ajuda também em seus treinos. “Ano passado, Mari competiu pelo Vasco, mas não conseguia ir treinar sempre na sede do clube por questões de trabalho e aulas; então criamos o hábito de fazer um planejamento de treinos específicos para ela e deu muito certo. Agora que estou sem clube, ela ajuda nos meus treinos e é a maior inspiração de disciplina que tenho na minha rotina”.

Esporte também é inclusão

O graduando em geografia, Vitor Penalva, é atleta paralímpico de tênis de mesa, e desde 2018 recebe o suporte financeiro do Bolsa Atleta. O universitário ressaltou a importância que este incentivo tem em sua trajetória esportiva. “A bolsa foi essencial desde o início, pois consegui investir em materiais de melhor qualidade. Também ajudou a aprimorar meu jogo, aumentar a quantidade de treinos e a frequência em campeonatos”, garantiu.

O atleta, morador de Rio Bonito, afirmou que uma das maiores dificuldades do dia a dia é dividir corretamente as horas dedicadas aos treinamentos e aos estudos. Entretanto seus resultados mostram que essa tarefa vem sendo bem executada: atualmente Vitor é federado pelo Madureira Esporte Clube, e está ranqueado como o terceiro melhor jogador paralímpico de tênis de mesa do Estado do Rio de Janeiro, e o quinto do país. No total, ele já coleciona cinco medalhas representando a UFF: uma de ouro, duas de prata e duas de bronze. Todas as premiações foram conquistadas em São Paulo, na disputa dos Jogos Paralímpicos Universitários.

Além do apoio financeiro, o programa representa algo fundamental para o atleta: a inclusão. Ele foi o primeiro estudante com deficiência física a conseguir espaço como bolsista esportivo, e esse fato transformou sua visão acerca da instituição. “Nessa oportunidade de receber a bolsa, eu percebi que existiam alunos com deficiência na UFF, e a mesma nos enxerga.”

Vitor ressaltou as condições adversas do esporte encaradas pelos atletas paralímpicos no país. Segundo o esportista, a falta de acessibilidade nas sedes dos campeonatos é um enorme percalço para todos os atletas paralímpicos. “Muitos dos torneios acontecem no interior dos estados, onde a maioria das locações não possui a infraestrutura adequada para receber os participantes com deficiência”.

As altas taxas cobradas para a regularização profissional com a federação também são um obstáculo para os atletas. “A cada torneio que participo, é necessário o pagamento de um valor para a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), além da Joia Anual – que é paga por todos os atletas federados – e a cada ano fica mais cara, dificultando nossa permanência no esporte. Além disso, ainda existem os altos custos com passagens, material de treino, alimentação e estadia para disputar competições em outros estados”, explicou Vitor.

Para o graduando, além da ajuda financeira, o investimento que a UFF realiza serve como motivação frente aos obstáculos vividos em suas rotinas esportivas. “É mais um estímulo, já que investir em esporte é uma prática cada vez menos comum no Brasil ”, conclui o atleta.

Fonte: Universidade Federal Fluminense