Refugiados no Rio aprendem português na UERJ

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Diretoria de Comunicação da UERJ

O dia 20 de junho é Dia do Refugiado, data instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) para homenagear a coragem e a força de milhões de pessoas.  Elas são obrigadas a deixar suas casas e se refugiar em outros países para escapar de perseguições, calamidades naturais ou guerras. O objetivo da ONU é também discutir com a sociedade e os governos mundiais solidariedade, respeito e a responsabilidade que as nações devem ter com os povos refugiados. Pensando assim, a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a Pares Cáritas (braço da Igreja Católica) firmaram parceria desde 2014 para desenvolvimento de curso de português para refugiados falantes de espanhol, inglês e francês.

Na UERJ eles recebem aulas para aprender a dominar a língua e também a cultura brasileira. Com isso recuperam parte da dignidade e prestígio social perdidos quando tiveram que fugir de seus países. Nos últimos 3 anos o curso de português atendeu 545 pessoas. Neste semestre, estão inscritos 260 refugiados em oito turmas. Além de ensinar português, os refugiados que frequentam a UERJ têm possibilidade de deixar os filhos numa recreação, enquanto estudam.

A pedagoga Maristela Santos, coordenadora do programa da Cáritas, conta que a população de alunos é flutuante e que a linguagem utilizada é a do acolhimento. “É fundamental que eles aprendam a falar para viver bem. Eles aprendem a dominar a linguagem e o básico da escrita. O número de alunos varia muito porque muitos conseguem emprego e param de frequentar as aulas”, revela.

Atualmente mais da metade dos alunos vem da Venezuela. O restante se divide entre pessoas vindas de países da África, Oriente Médio e Cuba. Todos professores e recreadores são voluntários no projeto. A equipe conta com 30 profissionais que doam tempo e conhecimento em aulas pra lá de animadas, como a da professora Fernanda Moraes D’Olivio, que há dois anos foi aprovada para o cargo de voluntária. Paulista da cidade de São José da Boa Vista, ela chegou ao Rio para trabalhar. É professora universitária, linguista, doutora em processo de aprendizagem de mulheres congolesas. Antes de dar aula a refugiados no Rio de Janeiro ela já tinha ensinado o português a haitianos, na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em São Paulo.

Às vésperas do Dia do Refugiado, Fernanda reuniu falantes de inglês, francês e espanhol numa aula sobre festa junina, com direito a degustação de comida típica, música e dança. “O objetivo é fazê-los ter segurança pra viver no país e saberem da cultura é fundamental”, explica a professora.

Histórias de esperança

Entre os alunos, homens e mulheres, a maioria jovem, há uma mascote que encanta a todos. A pequena Gabrielle, filha da professora de inglês Silvia Koberwa, vinda da Uganda. A mãe levou a filha pra aula e ela também se divertiu brincando e respondendo a todas perguntas feitas em português com um inglês nativo impecável.

Outro aluno interessado foi Isaac Matondo, 30 anos, vindo do Congo ele trabalhava como motorista e músico. No Rio, está morando no bairro de Costa Filho. Ainda aprendendo o português diz que quer morar no Brasil pra sempre e espera arrumar um trabalho em breve. Conterrânea de Issac, Aimerance Kapinga, 21 anos, já praticamente domina o vocabulário do português falado no Brasil, mas quer aperfeiçoar a escrita. “Estou no Brasil há 5 anos. Eu quero viver aqui. Quero fazer faculdade de Enfermagem”, revela.

Fonte: Universidade do Estado do Rio de Janeiro