Pesquisador da Unesp estuda estrutura eletrônica da melanina

Estudo é liderado por pesquisador da Faculdade de Ciências de Bauru

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 por: Jorge Marinho

Professor Carlos Frederico de Oliveira Graeff no Helmholtz-Zentrum Berlim, Alemanha
Imagem: Arquivo pessoal
Conhecer a estrutura eletrônica da melanina, a molécula do nosso corpo responsável pela coloração da pele, ajudará no desenvolvimento de dispositivos eletrônicos que combinam o componente biológico com um detector físico-químico. O estudo é conduzido pelo professor, pesquisador da Faculdade de Ciências de Bauru e pró-reitor de Pesquisa da Unesp, Carlos Frederico de Oliveira Graeff, em conjunto com o professor e pesquisador Paulo Bueno, do Instituto de Química de Araraquara, e outros pesquisadores da Universidade. Um determinado biosensor, resultado da pesquisa, poderá indicar se o paciente tem ou não determinada doença, a partir de uma gota de sangue, em alguns minutos.

O professor Graeff alerta que o estudo ainda tem um longo caminho a ser percorrido para que seja possível a elaboração de um biosensor ou algum dispositivo eletrônico, como transistores, a partir da melanina.

“Para conseguirmos fazer a interface entre nós, seres biológicos, e a eletrônica convencional, será necessário uma série de mecanismos, principalmente sensores e atuadores bioeletrônicos. Por isso, estudamos a melanina, que tem potencial para a construção desses dispositivos”, explicou o pesquisador.

Graeff recebeu uma bolsa de estudos de 90 dias, da Fundação Alexander Von Humboldt, para aprofundar as pesquisas, na Alemanha, sobre a estrutura eletrônica da melanina. Esses estudos serão realizados em três fases de 30 dias. A primeira foi neste ano e as outras serão em 2020 e em 2021.

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Segundo Graeff, a primeira fase do estágio, realizada no Helmholtz-Zentrum (HZB), em Berlim, onde fica o sincronton alemão (um acelerador de partículas), durante suas férias deste ano, foi um passo importante no caminho para o desenvolvimento de um chip para uso em Ressonância Paramagnética Eletrônica, ou EPR, na sigla em inglês, que é uma técnica que detecta espécies que contêm elétrons desemparelhados, ou seja, espécies paramagnéticas. No HZB, Graeff já desenvolve estudos em colaboração com o pesquisador Klaus Lips.

O chip, feito de silício convencional, com uma tecnologia chamada de C-Moss, usada para fazer esse material para celulares e computadores, servirá para a construção de um equipamento de ressonância paramagnética eletrônica miniaturizada aqui na Unesp.

Graeff explica que o avanço da pesquisa permitirá que aparelhos usados hoje para exames, que ocupam grandes salas, possam ser reduzidos ao tamanho de um computador de mesa ou ainda menores, o que vai baratear bastante os custos.

“Isso fará com que essa técnica poderosa, mas muito cara, fique barata e permita que um médico possa ter em seu consultório um equipamento que, hoje, somente um hospital tem condições de ter, por causa do preço e do tamanho, por exemplo, um aparelho de imagem por ressonância magnética”, explicou o pró-reitor, destacando ainda que a intenção é desenvolver, justamente, um biosensor para detecção de doenças tipicamente negligenciadas – aquelas causadas por parasitas e consideradas endêmicas em populações de baixa renda, como malária, doença de Chagas, doença do sono, leishmaniose visceral, filariose linfática, dengue e esquistossomose.

“Com a tecnologia EPR on Chip poderemos colocar uma gota de sangue no biosensor para saber se a pessoa está com dengue, qual o tipo e se já está em processo inflamatório. Essa tecnologia nos permitirá ter um laboratório na palma da mão. Esse é o nosso objetivo, mas ainda estamos longe dessa realidade”, esclareceu Graeff.

O professor ressalta que a primeira etapa de pesquisa na Alemanha auxiliou na discussão e no planejamento do trabalho em andamento. “Temos muito ainda que discutir do ponto de vista de processo, de projeto de construção do chip e que tecnologia usar”, disse.

Fonte: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”