Aluna da EEP desenvolve pesquisa para segurança na saúde alimentar

Artigo foi desenvolvido durante o curso de Engenharia de Produção e promete contribuir para a segurança da saúde alimentar do consumidor

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Depois de estagiar por seis meses no Laboratório de Microbiologia Ambiental e Segurança Alimentar do Centro de Pesquisa Agrícola de Beltsville, nos Estados Unidos, por intermédio da EEP (Escola de Engenharia de Piracicaba), a aluna Lisa Bellato, do curso de Engenharia de Produção, teve seu artigo científico aceito e publicado recentemente pelo órgão americano.

Durante seu estágio, desenvolvido no laboratório USDA/ARS Beltsville MD, junto a outros pesquisadores sob a liderança do Dr. Jianwei Qin, Lisa pesquisou sobre o uso excessivo de anidrido maleico (MAN) na produção de amido. “O objetivo é melhorar as propriedades físicas do amido, como viscosidade, textura e estabilidade para o consumo; mas a técnica é potencialmente prejudicial à saúde dos consumidores”, alertou Lisa.

Ela esclarece que, em decorrência disso, o estudo apresenta um método de imagem química Raman em macroescala para detecção e quantificação de partículas MAN misturadas em pó de amido. Segundo a pesquisadora, as concentrações dos pixels MAN identificadas nas imagens químicas estão linearmente correlacionadas com as concentrações de massa das partículas MAN misturadas no pó de amido.

Ao justificar o tema da pesquisa, ela lembra que o amido está contido em uma grande quantidade de alimentos básicos, a exemplo do milho, trigo, arroz e batata, sendo o carboidrato mais consumido pelos seres humanos.

“A segurança e a qualidade deste produto são questões críticas no mundo”, disse Lisa ao citar a grande quantidade de aditivos químicos ilegais, intencionalmente adicionados ao amido durante o processo de fabricação.

Ela esclarece que o MAN é um material industrial produzido principalmente para aplicações de revestimento e polímeros, sendo um aditivo alimentar indireto aprovado pelo FDA dos EUA que pode ser usado como material de embalagem em contato com alimentos; mas não adicionado diretamente aos alimentos. “Uma vez consumido pelos humanos, o MAN é transformado em ácido maleico, que pode passar através das células renais e induzir a uma doença renal conhecida como síndrome de Fanconi”, alertou.

Para ilustrar os perigos, Lisa relatou que o amido modificado por MAN (isto é, maleato de amido) esteve envolvido na produção de muitos tipos de alimentos em Taiwan, China. Como consequência, o incidente com amido tóxico causou medo à saúde pública e tornou-se uma crise de imagem local e internacional para a indústria de alimentos taiwanesa, já que inúmeros produtos alimentícios contaminados foram recolhidos e destruídos durante o incidente.

Tecnicamente, a pesquisadora explica que, durante a coleta de imagens hiperespectrais de Raman, cada amostra foi escaneada 500 vezes em um tamanho espacial incremental de 0,2 mm, permitindo apresentar um método de imagens químicas Raman em escala macro para detecção direta e quantificação de partículas de anidrido maleico misturadas ao amido de milho em pó.

“O método para detectar o MAN no pó de amido usado neste estudo, juntamente com nossos estudos anteriores na detecção de melamina e uréia em leite em pó, concentrações de anidrido maleico em pó de amido e peróxido de benzoíla em farinha de trigo, demonstrou que a técnica de imagens químicas Raman de varredura de linha é promissora para inspecionar diferentes tipos de contaminantes, adulterantes ou aditivos ilegais ativos em Raman misturados em diferentes alimentos e ingredientes em pó”, disse a pesquisadora.

Segundo ela, como próximo passo desta pesquisa, os testes serão conduzidos em pós alimentícios mais adulterados e replicados para verificar a repetibilidade da medição e construir modelos de classificação e quantificação estáveis ​​e confiáveis.

“Minha experiência foi uma oportunidade de conhecimento nos âmbitos educacional, cultural e social. Durante a realização do estágio de pesquisa, por exemplo, pude realizar experimentos, conhecer novos softwares, vivenciar uma forma diferente de trabalho e participar da elaboração de um artigo científico, publicado em novembro de 2018”, relatou Lisa.

Com apoio da EEP, Lisa estagiou por seis meses no Laboratório de Microbiologia Ambiental e Segurança Alimentar do Centro de Pesquisa Agrícola de Beltsville, nos Estados Unidos.

Fonte: FUMEP/EEP